A ERA DA CIDADE
Por Que o Futuro Depende de Todos Nós
Ian Goldin e Tom Lee-Devlin
Apresentação: Valério Gomes
Tradução: Sonia Nussensweig Hotimsky
Coedição – Instituto Pedra Branca
DESCRIÇÃO CURTA
Um ensaio sobre a importância das cidades no mundo contemporâneo e seus desafios econômicos, sociais e urbanos. Se acreditamos em um mundo de bens e valores compartilhados, é necessário tomar as decisões agora e agir.
SINOPSE
As cidades cresceram, tornaram-se polos de cultura e riqueza, centros de decisões econômicas e políticas, com grande oferta de trabalho e oportunidades, atraindo um grande número de pessoas que antes vivia no campo, em vilas ou comunidades urbanas médias. Hoje, mais da metade da população mundial vive em ambientes urbanos complexos, nas mais variadas condições materiais e sociais, um território marcado pelas diferenças, pela desigualdade e por ameaças de colapso estrutural.
O desafio atual é que esses ambientes complexos passem por um processo amplo de regeneração – urbana, estrutural e social – de uma forma coletiva, enfrentando os extremos de riqueza e pobreza, organizando-se para uma economia que possa prosperar de forma sustentável, requalificando espaços e agindo para mitigar os efeitos da crise climática.
Nossa melhor chance, sugerem os autores, é agirmos juntos, cooperarmos e apostarmos num mundo compartilhado entre as pessoas, as coisas e a natureza. Um chamado de esperança. Mas sobretudo, um alerta de perigo.
QUARTA-CAPA
Neste ensaio, Ian Goldin e Tom Lee-Devlin analisam como e por que as cidades contemporâneas tornaram-se o palco principal das grandes transformações e dos grandes desafios da espécie humana.
Tendo se tornado epicentros das inovações tecnológicas e culturais da humanidade, as cidades hoje passaram a ter de lidar também com as nossas grandes questões existenciais: da concentração de renda e da iniquidade, da crise climática e da sustentabilidade, da superpopulação, do trabalho e das oportunidades profissionais.
IAN GOLDIN
Economista britânico, natural da África do Sul, é professor de Desenvolvimento e Globalização na Universidade Oxford. Destacou-se internacionalmente como o diretor fundador da Oxford Martin School e por sua atuação histórica como assessor econômico do presidente Nelson Mandela após o fim do apartheid na África do Sul. Foi vice-presidente do Banco Mundial e dirigiu o Banco de Desenvolvimento da África Austral (DBSA), importante liderança em políticas de desenvolvimento. É autor de mais de 25 livros sobre migração, cidades e o futuro do trabalho; colabora com a BBC em documentários que analisam crises e transformações globais. Reconhecido pelo Fórum Econômico Mundial como Líder Global do Amanhã e condecorado pelo governo francês, ele segue dedicando sua carreira à pesquisa de soluções interdisciplinares para os grandes desafios do século XXI.
TOM LEE-DEVLIN
Economista, escritor e jornalista britânico, é editor de negócios globais The Economist, uma das mais influentes revistas de economia do mundo, e coapresentador do popular podcast Money Talks. Graduado em Economia pela Universidade de Sydney, trabalhou como consultor estratégico na Bain & Company, onde liderou investigações complexas voltadas para o futuro dos mercados globais por meio do think tank Bain Futures. É especialista em transformações industriais, dinâmicas de mercado e tendências corporativas intersetoriais.
URBANIDADES FRATURADAS
A coleção Urbanidades dedica-se aos fenômenos urbanos em suas complexidades e transversalidades, discutindo as cidades e suas estruturas físicas econômicas e sociais.
DA CAPA
Imagem da capa: desenho em guache sobre papel de Iakov Chernikov, c. 1925.
Chernikov produziu uma série de desenhos celebrando a modernidade e a urbanidade da jovem União Soviética, figurando cenas de construções, máquinas e edifícios num ambiente urbano sendo transformado pela ação positiva de um homem tecnológico.
ORELHA
“Estamos muito distantes do fim do crescimento urbano. Como as cidades vão acomodar todas essas pessoas a mais? Onde elas encontrarão emprego? Como vamos nos proteger das mudanças climáticas, pandemias e outros riscos? É ingênuo imaginar que vamos tropeçar nas respostas a essas perguntas ao depender cegamente das forças do mercado e das escolhas individuais. Para atravessar com sucesso essa transição, precisamos moldar nosso destino, não apenas nos limitar a correr riscos.
“Não devemos nos iludir achando que há soluções fáceis. Slogans apelativos e desejos irrealistas vão apenas retardar o progresso. O mundo urbano é um sistema complexo, propenso a consequências indesejadas. São necessárias soluções graduais e experimentação contínua, baseadas na paciência e em uma perspectiva de longo prazo. As escolhas de políticas não podem ser feitas isoladamente umas das outras, e precisam ser consideradas em seu contexto mais amplo. […]
“As cidades têm um papel crucial a desempenhar na construção da coesão em um mundo onde nossas interações sociais são dominadas pela internet, nos afunilando para câmaras de eco cheias de pessoas que pensam como nós e minando nossa capacidade de encontrar pontos em comum com pessoas que pensam de maneira diferente. A cidade de nossos ancestrais desempenhava papel vital ao reunir pessoas de diferentes estilos de vida e uni-los em um todo coeso. Em nosso mundo fraturado, as cidades precisam redescobrir esse potencial. Isso vai exigir que elas evoluam. A expansão urbana de baixa densidade, que troca a conectividade pela privacidade, representa metade desse desafio. A outra metade envolve a crescente desigualdade – tanto dentro das cidades como entre elas – que tem levado os ricos e os pobres a habitarem mundos em grande parte separados.”
PÚBLICO-ALVO
Público amplo, gestores, administradores, economistas, cientistas sociais e urbanistas.
PALAVRAS-CHAVE
Cidades; metrópoles; regeneração; urbanidade; sociedade; desigualdade; direitos humanos; crise climática; coletividade; multilateralidade; infraestrutura; bem-viver.
TRECHOS
Embora grande parte do progresso humano – mensurado seja pelo crescimento populacional, pela produção material ou pela expectativa de vida – tenha ocorrido no curto período desde o começo da Revolução Industrial, ao longo da história as cidades têm lançado as bases para esse salto histórico.
O nascimento de impérios importa para a nossa história, pois com eles veio um novo tipo de cidade, numa escala muito maior: a escala imperial. Enquanto as cidades antigas eram limitadas pelo tamanho das terras agrícolas em volta delas, Roma conseguia importar grãos de territórios conquistados tais como o Egito para sustentar o número sem precedentes de habitantes para sua época. A escala do Império Romano o tornava impossível de governar a partir de uma única cidade. Isso levou à delegação do poder para uma série de capitais provinciais tais como Alexandria ou Corinto, que por sua vez reinava sobre uma coleção de cidades menores em torno delas. Assim mesmo, Roma continuava sendo o fulcro da vida política, econômica e cultural, e seus habitantes alcançaram um padrão de vida inigualável em comparação com outras partes do império.
Nas primeiras décadas do século XX, à medida que aumentava a preocupação pública com a qualidade de vida dos trabalhadores pobres em moradias superlotadas e precárias nos centros das cidades, muitos países ricos iniciaram grandes esforços para limpar essas áreas e substituí-las com habitação social, um processo que se acelerou no período depois da Segunda Guerra Mundial. O Reino Unido foi um país que adotou essa medida de forma particularmente entusiasmada, construindo mais de quatro milhões de habitações sociais entre o fim da guerra e o início dos anos 198043. Essas iniciativas não ficaram isentas de críticas. Por exemplo, nos anos 1960, a urbanista Jane Jacobs argumentou veementemente contra a abordagem prevalescente na cidade de Nova York de demolir as moradias precárias e substituí-las por projetos habitacionais sem vida e mal projetados, que debilitavam as comunidades locais44. Mas a habitação social tem desempenhado um papel importante na redução das desigualdades nas cidades, garantindo que todos os cidadãos possam ter suas necessidades básicas de moradia atendidas. Quando espalhados pela cidade, também tem ajudado a combater a tendência para a segregação socioeconômica.
Criar espaços onde membros da comunidade podem se encontrar também é essencial. Isso tem muitas dimensões, desde parques de bairros e parques infantis a centros comunitários e ruas pedonais. Simplesmente alargar as calçadas para permitir que restaurantes e cafés se espalhem pelas ruas pode ajudar. Muitos bairros se transformaram durante a Covid-19, quando foi proibido o uso de mesas internas. Esse é um bom começo, mas ainda há muito a ser feito.
A experiência da China é até mais impressionante. Ao longo das últimas quatro décadas, mais de 800 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema na China, o que, por si só, reduziu em 75% o número de pessoas em extrema pobreza no mundo. Em algum momento na década de 2020, a China provavelmente ultrapassará o limiar do Banco Mundial para países de alta renda; uma reviravolta incrível, considerando que, em 1950, ela estava entre os vinte países mais pobres do mundo28. Como em outros lugares, as cidades têm sido o motor desse desenvolvimento. Nunca antes tantas pessoas se mudaram do campo para as cidades em tão pouco tempo. Até 2030, um em cada cinco habitantes urbanos no mundo será chinês.
O estresse térmico é outro grande desafio no horizonte para as cidades. Em Londres, as ondas de calor têm sido, historicamente, recebidas com entusiasmo. Moradores festeiros lotam os parques da cidade, talvez parando em uma sorveteria a caminho, e aproveitam com alegria a trégua do clima tipicamente sombrio da cidade. Os mais jovens e confiantes se despem de tudo, menos dos trajes de banho, para se bronzear. Em anos recentes, à medida que os picos de temperatura se tornaram mais extremos, isso tem mudado.
As cidades estão expostas ao que é conhecido como efeito de ilha de calor urbano. Enquanto as árvores e a vegetação refratam a radiação solar, estradas e prédios fazem o oposto; absorvem e retêm o calor. A isso se acrescenta o assim chamado calor residual gerado por carros e maquinaria. Durante o verão, a temperatura em Paris e em outras cidades grandes pode chegar a até 10oC mais alta que nas áreas rurais em torno delas.
O crescimento contínuo de assentamentos informais desprovidos dos serviços mais básicos não é apenas uma mancha em nossa consciência coletiva, mas um risco significativo para a humanidade. As condições insalubres e de superlotação nesses assentamentos os tornarão catalisadores da disseminação global de novas doenças infecciosas. O investimento na melhoria de sistemas de saúde e das condições de vida de assentamentos informais é parte da solução, mas também é crítico enfrentar as causas subjacentes da pobreza profunda em muitas cidades do mundo em desenvolvimento.
SUMARIO
Apresentação [por Valério Gomes]
Prefácio
Introdução
1. Motores do Progresso
2. Nivelar Por Cima
3. Cidades Divididas
4. Trabalho Remoto: A Ameaça às Cidades
5. Cidades, Ciberespaço e o Futuro da Comunidade
6. Para Além do Mundo Rico
7. O Espectro da Doença
8. Um Clima de Perigo
Conclusão: Melhor Juntos
Notas
Referências Bibliográficas
Índice Remissivo
Agradecimentos
FICHA TÉCNICA
Ciências Sociais/Economia/Urbanismo
Impresso brochura
15,5 x 23 cm
216 páginas
ISBN 978-65-5505-285-5
Lançamento 16 outubro
EBOOK
ISBN 978-65-5505-310-4
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