INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DA ALIMENTAÇÃO
Joana Pellerano e Bia Nunes de Sousa (orgs.)
DESCRIÇÃO CURTA
A alimentação vai muito além da biologia e da química dos alimentos. Ela é um campo onde se entrelaçam direitos fundamentais, tradições culturais, relações de poder e escolhas políticas. Estudar cada um desses aspectos é uma forma de perceber que o ato de comer é, antes de tudo, um ato profundamente humano e social.
SINOPSE
A alimentação humana é um espelho da nossa complexidade. Cada refeição carrega consigo uma história de direitos conquistados, tradições milenares, desigualdades sociais e decisões políticas que moldam não apenas nossa saúde, mas toda a nossa civilização. O que comemos, como preparamos o alimento e com quem partilhamos a mesa comunica nossa identidade, nossa posição social e nossas crenças.
A sociologia evidencia que a alimentação é um marcador social. Enquanto a comida saudável é frequentemente reservada aos que têm mais recursos, a fome ou o consumo de ultraprocessados acaba sendo o destino dos mais pobres.
O ato de comer é um ato político: a escolha do que comemos é influenciada por uma complexa teia de fatores sociais, econômicos e culturais. A sociologia estuda como a alimentação pode demarcar diferenças sociais, delimitar identidades e construir hábitos.
QUARTA-CAPA
Muito além do feijão com arroz, Introdução aos Estudos da Alimentação abre um campo de análise ainda pouco conhecido e difundido no Brasil, revelando como o ato de se alimentar impacta e permeia a história e o cotidiano das sociedades.
Em uma abordagem interdisciplinar, o livro traz os principais temas associados à alimentação, apresentando autoras e métodos em cada área de estudo: da antropologia à filosofia, da nutrição à comunicação, do direito ao turismo, passando pela saúde pública, mostrando que comer não se reduz a uma necessidade biológica, mas é um fenômeno social, cultural, econômico e político.
Ao estudar a alimentação, aprendemos sobre a história das civilizações, as tradições culturais, as desigualdades sociais, as questões ambientais e os direitos humanos. O livro mostra como o ato de comer reflete e transforma identidades, contextos, tradições e modos de vida. Um convite para enxergar a alimentação como uma chave para entender o mundo e inspirar novas formas de pensar e agir.
Bom apetite!
AUTORAS
ADRIANA SALAY
Trabalha com alimentação e é professora universitária. É doutora em História Social pela Universidade de São Paulo – USP com estágio na Universidade da Califórnia e estudou hábitos alimentares e fome no Brasil. Criou e comanda o projeto Quebrada Alimentada junto com o restaurante Mocotó para promover assistência alimentar. É coautora do livro Fome e Assistência Alimentar na Pandemia (2022).
BIA NUNES DE SOUSA (Org.)
Especialista em Gastronomia, História e Cultura (Senac-SP) e em Língua Portuguesa e Literatura (Unip-SP), atua como editora e tradutora no mercado editorial brasileiro há mais de vinte anos, com ampla experiência na criação e coordenação de projetos nacionais e estrangeiros
CAROLINA CADIMA FERNANDES NAZARETH
Cientista social pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, mestre e doutora em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Goiás (PPGAS/UFG). Desde setembro de 2024 atua como docente na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), no curso de Antropologia.
DANIELA ROSENDO
Doutora e mestra em Filosofia (UFSC) e graduada em Direito (Univille). Em 2022, finalizou um estágio pós-doutoral em Filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina, onde aprofundou o desenvolvimento do projeto ético-político ecofeminista. Tem experiência na docência e coordenação no ensino superior e atua, de forma militante e profissional, nos movimentos sociais feminista, de libertação animal e de direitos humanos. Dedica-se ao desenvolvimento da Quilting Educação e Filosofia Artesanal. É pesquisadora, integra redes e núcleos de diferentes universidades e instituições em âmbito nacional e regional. Publicou artigos e livros, dentre eles o Sensível ao Cuidado: Uma Perspectiva Ética Ecofeminista (Ape’Ku, 2022).
JOANA PELLERANO (Org.)
Doutora em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM-SP), mestre em Ciências Sociais (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC‑SP) e em Comunicação e Gastronomia (Universitat de Vic), bacharel em Comunicação Social – Jornalismo (Universidade Federal do Espírito Santo – UFES). É professora e pesquisadora da área de alimentação, além de fundadora do site de divulgação científica Comida na Cabeça (www.comidanacabeca.com).
MARIA HENRIQUETA GIMENES-MINASSE
Bacharel em Turismo, mestre em Sociologia e doutora em História pela Universidade Federal do Paraná – UFPR. Suas outras formações incluem uma especialização em Planejamento e Gestão do Turismo (UFPR) e em Inovação em Educação à Distância (UAM), MBA em Gestão da Experiência do Consumidor (Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM). Pesquisadora e professora das áreas de Hospitalidade, Turismo e Gastronomia, foi professora na UFPR (1999-2011), na Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR (2011-2015) e na Universidade Anhembi Morumbi (2015-2024). Sócia-fundadora do site Comida na Cabeça com Joana Pellerano, atualmente é professora de cursos livres e de especialização na área de Hospitalidade e Gastronomia.
MARLE ALVARENGA
Nutricionista, mestre e doutora em Nutrição Humana, com pós-doutorado em Nutrição em Saúde Pública, pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – USP, onde é orientadora do Programa de Pós-Graduação em Nutrição em Saúde Pública. É também idealizadora do Instituto Nutrição Comportamental.
PAULA DE OLIVEIRA FELICIANO
Mestre em Culturas e Identidades Brasileiras pelo Instituto de Estudos Brasileiros – IEB-USP, graduada em Gastronomia. Atua como coordenadora de projetos na Verakis Brasil, pesquisadora de cultura e culinária e professora nos cursos de graduação e pós-graduação em Gastronomia no Senac-SP nos seguintes temas: pesquisa culinária, turismo gastronômico e patrimônios alimentares. Tem formação em Patrimônio, Memória e Gestão Cultural pelo Centro de Pesquisa e Referência do museu Casa Mário de Andrade e passou por estágios na Fundação Alícia e no Observatório de Alimentação da Universidade de Barcelona. Autora de Produtos de Origem e Patrimônio Alimentar, publicado pelo Senac-SP (2024).
RENATA DO AMARAL
Jornalista, com mestrado e doutorado em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e uma segunda graduação em Gastronomia. É jornalista concursada da UFPE e docente de nutrição e dietética da Organização Sanroquense Ensino Profissionalizante. Atuou como professora em cursos superiores de Jornalismo e Gastronomia e como repórter em publicações de jornalismo cultural.
SUIANY ZIMERMANN BAIL
Advogada, formada pela Universidade da Região de Joinville – Univille (2018). Coordenadora de Advocacy e Articulação no Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos – IDDH. Integrante, desde 2017, do grupo de pesquisa da Univille para o Observatorio del Derecho a la Alimentación en América Latina y el Caribe – ODA-ALC.
TALITHA A. FERREIRA
Graduada em Hotelaria e em Ciências Sociais, com mestrado e doutorado em Sociologia pela Unicamp. É especialista em gastronomia e pós-graduada em Gastronomia, História e Cultura pelo Senac-SP. Trabalhou como cozinheira profissional na cidade de São Paulo e hoje mora em Pirenópolis-GO, onde trabalha com a execução de projetos culturais e socioambientais.
TATIANA ROTOLO
É bacharel e licenciada em Filosofia pela Universidade de São Paulo – USP. Doutora em Ciência Política pela Universidade de Brasília – UnB. Atualmente leciona no Instituto Federal de Brasília, nos cursos técnicos em Gastronomia, em Cozinha e em Hospedagem, integrados no Ensino Médio, e no curso superior e de Tecnologia em Gastronomia. Coordena o grupo de pesquisa em Cultura e História da Alimentação desde 2016.
WANESSA ASFORA NADLER
Doutora em História Medieval pela Universidade de São Paulo – USP. Desde 2018, é coordenadora do Laboratório de Teoria e História das Mídias Medievais da USP e Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e também pesquisadora do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra. Atualmente ensina História da Alimentação na Syracuse University em Florença e colabora com a revista Food & History do Institut Européen d’Histoire et des Cultures de l’Alimentation.
PÚBLICO-ALVO
Estudantes e pesquisadores nas áreas de direito, saúde pública, antropologia, sociologia, gastronomia, políticas públicas, cultura, educação. Público em geral.
PALAVRAS-CHAVE
Nutrição, alimentação, sociologia, direito, história, antropologia, direitos humanos, gastronomia, sociedade, comunicação, meio ambiente.
TRECHOS
{Introdução}
É necessário então entendê-la [a alimentação] como uma temática multi, trans e interdisciplinar: diferentes áreas do conhecimento podem (e devem) analisá-la a partir de teorias e métodos específicos, mas o entendimento do fenômeno como um todo pede que as disciplinas dialoguem e, de preferência, se complementem e se integrem. A vantagem desse tipo de abordagem é enriquecer e alargar nosso campo de visão para uma compreensão mais aproximada do objeto que se pretende estudar, mas as distintas abordagens e a presença de uma multiplicidade de vozes proporcionadas pela temática podem confundir jovens pesquisadores e complicar os caminhos formais da academia.
{Antropologia e Alimentação}
“[...] a alimentação é um elemento indispensável para pensarmos recortes culturais, raciais, econômicos, o que nos possibilita examiná-la para além de uma ‘cultura material’, pois ela representa o que a antropologia denomina de ‘sistemas simbólicos’, um conjunto de símbolos que classifica e exerce influência sobre as nossas escolhas, imaginários, poder, classificações, entre outros.”
{Filosofia e Comida}
“As relações com o alimento ultrapassam muito o campo apenas da nutrição ou das técnicas de seu preparo, porque o ato de se alimentar mobiliza relações sociais e humanas em torno do alimento, desde a produção até o consumo final. Isso nos leva a pensar nos aspectos históricos, simbólicos e culturais.”
{Alimentação ou Nutrição?}
“A alimentação vem, portanto, muito antes da nutrição e traz consigo os aspectos culturais e todos os sentidos envolvidos no comer.”
{Alimentação ou Nutrição?}
“Comida é cultura e, portanto, tem que ser levada em consideração para entender por que as pessoas comem o que comem. Isso é fundamental em um momento de mundo no qual definitivamente comer vai muito além de saciar a fome, e também vai além de saúde – passando por sentidos múltiplos: identidade, espiritualidade, performance, moralidade e até mesmo para impressionar os outros.”
{O Alimento e a Experiência Humana}
“[...] dizer que o brasileiro é um comedor de feijão é uma representação do Brasil e está respaldada em uma lógica material, mas não dá conta da diversidade e complexidade que é o nosso sistema alimentar. É fundamental, na pesquisa sobre alimentação, tomar cuidado para não levar a representação como um dado absoluto e totalmente colado à realidade material de toda a população, que não se modifica no tempo.”
SUMÁRIO
Introdução: Por Que Estudar Alimentação?
Joana Pellerano e Bia Nunes de Sousa
1. Antropologia e Alimentação: A Comida e o Estar no Mundo
Carolina Cadima Fernandes Nazareth
2. Comunicação e Alimentação: Por Que Falar Sobre Comida Importa?
Joana Pellerano e Renata do Amaral
3. O Direito à Alimentação: Humano e Fundamental
Daniela Rosendo e Suiany Bail
4. Filosofia e Comida: Um Caminho a Trilhar
Tatiana Rotolo
5. Gastronomia: A Alimentação Para Além do Cozinhar
Paula Feliciano
6. História da Alimentação: Um Olhar Para o Cotidiano
Wanessa Asfora
7. Alimentação ou Nutrição: Comida e Alimento Não São a Mesma Coisa
Marle Alvarenga
8. Sociologia e Alimentação: Caminhos Percorridos e Travessias a Construir
Talitha A. Ferreira
9. Turismo e Hospitalidade: Olhares Sobre a Alimentação
Marie Gimenes-Minasse
10. O Alimento e a Experiência Humana: Para Onde Vamos?
Adriana Salay
Sobre as Autoras
FICHA TÉCNICA
Joana Pellerano e Bia Nunes de Sousa (orgs.)
Coleção Estudos da Alimentação
Assunto: nutrição, alimentação, sociologia, direito, história, antropologia, direitos humanos, gastronomia brasileira
Impresso brochura
15,5 x 23 cm
192 páginas
ISBN 978-65-5505-296-1
Lançamento 30 out
EBOOK
ISBN 978-65-5505-297-8
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