METÁFORA INSUBMISSA
Novos Ensaios Sobre Teatro [2014-2026]
Autor: Fernando Marques
Prefácio: Rosângela Patriota
DESCRIÇÃO CURTA
O teatro brasileiro em análise crítica e histórica, numa obra que faz também uma defesa da originalidade e singularidade da produção teatral brasileira moderna, argumentando que tem uma visão própria dos temas nacionais, sem paralelo com as experiências internacionais.
SINOPSE
Metáfora Insubmissa, de Fernando Marques, apresenta uma análise clara e acessível sobre o teatro brasileiro. Por meio de ensaios históricos, o autor mostra como o teatro sempre buscou inovar, resistir a padrões e provocar reflexões sobre a sociedade. A obra destaca momentos históricos importantes, discute diferentes estilos e movimentos teatrais, e revela como o palco pode ser um espaço de liberdade, crítica e transformação. É uma leitura indicada para quem deseja entender, de forma simples, o papel do teatro na cultura e na história do Brasil.
A tese central percorre todo o livro ao tratar o teatro como um espaço de resistência ativa, transformação constante e questionamento das normas estabelecidas. O autor, Fernando Marques, mostra como a metáfora teatral é insubmissa porque desafia limites, provoca rupturas e se recusa a ser domesticada por convenções históricas, políticas ou estéticas.
O livro examina como o teatro reage a contextos de repressão e liberdade em diferentes contextos históricos, mostrando que a insubmissão da metáfora se adapta e se intensifica conforme as pressões externas. Ao abordar escolas e movimentos teatrais, a obra evidencia o embate entre tradição e inovação, reforçando a ideia de que o teatro está sempre em busca de novas formas de expressão e resistência. É permanente a crítica à homogeneização cultural. Marques denuncia a tendência de padronização e destaca o papel do teatro em dar voz à diferença, à pluralidade e à contestação. O livro argumenta que o teatro não apenas reflete a sociedade, mas também participa também de sua transformação, sendo um agente ativo de mudança e crítica. Ao apontar ausências e silencionamentos históricos, a obra se fortalece ao defender a necessidade de ampliar o olhar crítico e incluir perspectivas marginalizadas.
Em síntese, a tese central da “metáfora insubmissa” permeia todo o livro ao afirmar que o teatro, por meio dela, é um espaço vital de resistência, reinvenção e questionamento permanente das estruturas sociais e culturais.
QUARTA-CAPA
Terá faltado uma Semana de Arte Moderna ao teatro no Brasil? Talvez. As operações antropofágicas — apesar do episódio vitorioso de O Rei da Vela — incorporaram-se imperfeitamente ao nosso repertório conceitual e à nossa atitude de pesquisadores e artistas. É possível ir além, fortalecendo-os
FERNANDO MARQUES
É professor associado do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília na área de Teoria Teatral, além de escritor e compositor. Fez pós-doutorado em Literatura e História na Universidade de Lisboa e em Literatura na UnB, com pesquisa sobre ideias humanistas. Publicou Retratos de Mulher (poemas); Contos Canhotos; A Comicidade da Desilusão (sobre o humor em Nelson Rodrigues); Com os Séculos nos Olhos (sobre os musicais políticos); A Província dos Diamantes: Ensaios Sobre Teatro; e os textos teatrais Zé: Peça em um Ato; Últimos: Comédia Musical (livro-CD); Vivendo de Brisa: Comédia Musical, com canções nas plataformas digitais, e “A Quatro”, em Caminhos da Dramaturgia Brasiliense. Tem colaborações em jornais e revistas como Correio Braziliense (de 1997 a 2014), Teatrojornal, Dramaturgia em Foco, Arteriais, Ephemera e Cerrados.
ORELHA
Este livro reúne 24 artigos de Fernando Marques publicados ao longo dos últimos doze anos.
Para esta edição, pequenas modificações foram feitas pelo autor, sem alterar os textos essencialmente.
Procurou-se nas peças ou espetáculos o que neles havia de crítico e emancipatório. O novo, no entanto, não é visto como valor em si, pairando acima do solo, mas como resposta a demandas, em última instância, sociais.
Os ensaios estão distribuídos em cinco seções: “Peças e Seu Entorno”, do século XIX ao XXI; “Espetáculos”; “Entrevista e Perfis”; “Em Torno do Imponderável”, com especulações sobre a finitude, e “Alguma Teoria”.
Nessa última parte, no artigo “Narrador e Personagem”, propõe-se uma teoria do teatro com base em textos e espetáculos brasileiros, praticando a saudável heresia de pensar em língua portuguesa.
A metáfora insubmissa do título é a do próprio teatro e comparece, cremos, a todo o livro
PÚBLICO-ALVO
Alunos e pesquisadores de teatro, estética e artes. Público em geral.
PALAVRAS-CHAVE
Teatro, história do teatro brasileiro, modernismo, concretismo, teatro musical, crítica.
TRECHOS DO LIVRO
Uma breve explicação para a escassez de espetáculos renovadores, nos anos 1930, pode ser dada pelo seguinte episódio. O ator-empresário Procópio Ferreira, soberano dos palcos cariocas, foi procurado por Oswald de Andrade, que trazia consigo a sua primeira peça relevante, O Rei da Vela, talvez seu melhor texto teatral. Estávamos possivelmente em 1933, ano em que a peça foi escrita. Oswald então a ofereceu a Procópio.
O Rei da Vela apresenta a história do agiota Abelardo, que enriquece em meio à crise — deflagrada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929 e disseminada feito epidemia mundo afora, alcançando o Brasil e quebrando as fortunas do café, então nosso principal produto. Irreverente até o sarcasmo, a peça faz do país um retrato devastador e amoral: “Só se pode prosperar à custa de muita desgraça. Mas de muita mesmo...”, diz uma das personagens.
Procópio Ferreira, pragmático e atento ao gosto de seu púbico, disse anos depois em depoimento ser impossível representar a peça de Oswald, debochadíssima também no plano dos costumes, numa época em que a censura proibia até que se pronunciasse em cena a palavra “amante”. Mas não terá sido só esse o motivo da recusa: os hábitos estéticos simplesmente tornavam inassimilável o texto pleno de imagens expressionistas, como a das grades que separam os devedores em desespero de seu credor, a indicarem uma jaula destinada a inadimplentes.
O que se chamou de golpe dentro do golpe desaba sobre o país, em dezembro de 1968, com o Ato Institucional número 5, o AI-5, que limita brutalmente as liberdades civis e as garantias individuais. O AI-5 atinge também as artes com o acirramento da censura e a transformação do artista em inimigo público.
Dias Gomes e Gullar, autores de Dr. Getúlio, peça de 1968 que reaparecerá 15 anos depois sob o título de Vargas, escreveram em 1983: “Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória (título original) foi um dos últimos espetáculos, senão o último, de uma dramaturgia brasileira que surgiu em fins da década de 50 e que propunha um teatro político e popular de questionamento de nossa realidade”.
A cizânia, que duraria até o fim da vida de Gullar (o poeta não se dispôs à conciliação), surge em meados de 1957, quando Haroldo de Campos quis divulgar o artigo “Da Fenomenologia da Composição à Matemática da Composição” no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, dirigido por Gullar. Este não concordou com o teor do texto “por considerar que seria impossível escrever poemas a partir de equações matemáticas”.
“Tentei conversar com Augusto, buscando um entendimento, mas de nada adiantou”, recorda em Autobiografia Poética. Resolveu então publicar o texto de Haroldo, mas ladeado por outro em que defendia a posição oposta, intitulado “Poesia Concreta, Experiência Fenomenológica”. Ao que parece, os dois lados disputavam também a propriedade da ideia de poesia concreta. Estava aberta a pendenga, jamais pacificada, e que retornou há pouco em bate-boca impresso entre Augusto de Campos e Ferreira Gullar. Lembramos a respeito (e com respeito) o freudiano “narcisismo das pequenas diferenças”.
Essa é apenas uma hipótese usada para reiterar, por contraste, o que realmente importa: o legado de Gullar não está nessas batalhas retóricas, mais marcadas por atitudes idiossincráticas do que por efetiva lucidez. Por que as alianças à direita, feitas pelo PPS, não foram criticadas em sua coluna? Ele teria independência para isso! Em plano mais sutil e específico, por que duvidar do “salto participante” dado (ou tentado) pelos concretistas no início dos anos 1960?
O genial, o imprescindível em Ferreira Gullar é antes a percepção do solo histórico em que nos movimentamos, com as decorrentes operações formais quando a experiência se converte em arte, percepção aplicada à poesia, ao teatro e à crítica. A intuição do poeta, filtrada pela agudeza do ensaísta, acha-se, para dar um exemplo eloquente, em Vanguarda e Subdesenvolvimento, de 1969; esse livro, até pela data em que foi lançado, sugere o quanto a vivência do criador alimentou a do teórico. Naquele ensaio, o que sustentou as ideias em boa medida terá sido o trabalho no CPC e depois no Grupo Opinião, somado ao que ficara do concretismo.
O legado de Arena, Oficina e Opinião deve ser filtrado, somando-se as conquistas que nos servem ainda agora e refletindo sobre elas. Possíveis equívocos devem ser considerados (pelo avesso, digamos) quando se pensa numa tradição nascida ou renascida há seis décadas que, tendo absorvido a influência das revistas e comédias cantadas nacionais, do espetáculo político alemão e do musical norte-americano, pôde consumar o projeto de um teatro participante no país. Com as dificuldades conhecidas.
SUMÁRIO
A difícil arte do prefácio – Rosangela Patriota
PEÇAS E SEU ENTORNO
Crença e castigo: teatro e Inquisição em Gonçalves de Magalhães, Dias Gomes e Augusto Boal
Independência e contendas românticas: sobre as peças Sangue Limpo (1861), de Paulo Eiró, e D. Miguel, Rei de Portugal (1998), de Roberto Athayde
A trágica delicadeza: sobre as peças de Roberto Gomes (1882-1922)
Dramaturgia modernista: Oswald e Mário de Andrade
Nelson Rodrigues e a anarquia dos instintos
A metáfora insubmissa em Sortilégio, de Abdias Nascimento
Com os séculos nos olhos: teatro musical e político nos anos 1960 e 1970
A poética política de Aimé Césaire
Humor e morte em Millôr
Mulheres contemporâneas: peças de Sílvia Gomez
ESPETÁCULOS
A estranha casa contemporânea
Fontes vivas em cenas e narrativas ágeis
A personagem vive
Com o traquejo de mestre Dias Gomes
Crônica da crise
A arte é neta de Deus?
ENTREVISTA E PERFIS
Décio revisitado
Saudação a Sábato
Gullar, poesia, teatro, pensamento
EM TORNO DO IMPONDERÁVEL
Da ausência de Deus em Shakespeare, Machado e Drummond
Afrânio, o defunto antimetafísico
ALGUMA TEORIA
Büchner, Woyzeck, Zé: por que usar o verso em cena?
Narrador e personagem: para uma teoria do teatro épico a partir da prática brasileira (1a parte)
Narrador e personagem: para uma teoria do teatro épico a partir da prática brasileira (2a parte)
Vianna Filho leitor de Georg Lukács: afinidades no pensamento e nas peças Moço em Estado de Sítio, Mão na Luva e Corpo a Corpo
FICHA TÉCNICA
Autor: Fernando Marques
Prefácio: Rosângela Patriota
Assunto: teatro, musical, história e crítica
Impresso brochura
14 x 23 cm
368 páginas
ISBN 978-65-5505-302-9
Lançamento 7 outubro de 2026
EBOOK
ISBN 978-65-5505-303-6
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