VÍTIMAS
Uma História do Conflito Entre Sionistas e Árabes, 1881-2001
Benny Morris
Prefácio: Leonardo Avritzer
Tradução: Margarida Goldsztajn
DESCRIÇÃO CURTA
O brutal conflito entre sionistas e árabes do final do século XIX à virada do milênio narrado de forma a um só tempo panorâmica e detalhista, com ênfase nas personalidades, nas batalhas e nas relações geopolíticas que marcaram uma história que está longe de terminar.
SINOPSE
O conflito israelo-palestino parece mais intenso e polarizado do que nunca. Vítimas procura desvelar e esmiuçar a história completa — do final do século XIX, com a emergência do movimento sionista, até a virada do século XXI, momento da Segunda Intifada — com base em arquivos israelenses liberados para os pesquisadores e em fontes árabes, além de relatos pessoais.
Benny Morris, um dos expoentes da geração de "novos historiadores" que questionou as narrativas oficiais do Estado israelense, traz uma visão bastante imparcial (muito embora vá se tornar cada vez mais crítico em relação aos palestinos a partir dos anos 2000), do conflito, expondo os medos, traumas e falhas morais reais dos dois povos envolvidos no conflito.
Morris detalha os processos de militarização, as disputas e as negociações pela paz, demonstrando as razões de seus fracassos e o quanto o fator humano vem influenciando decisões de vida e morte para milhares de pessoas.
Traz as motivações, as contradições e os jogos duplos de poder envolvendo os grandes atores de suas épocas, os papéis do Império Otomano, do Reino Unido, dos EUA e da URSS, e como e por que o processo de colonização judaica no final do século XIX teve início, os primeiros conflitos, a visão que os árabes tinham de si mesmos e do inimigo sionista. Conta o que realmente aconteceu em 1948 e como o terrorismo e o contraterrorismo se tornaram rotina, quem falou de paz da boca para fora e quem buscou com sinceridade pôr fim ao derramamento de sangue.
Mais do que os desafios dos campos de batalha, minuciosamente narrados, o autor demonstra que é a absoluta incompreensão que um lado dedica ao outro que impede qualquer resolução do conflito. Do rio ao mar, sofrem todos.
Em uma era de opiniões superficiais geradas por inteligência artificial e propaganda de 15 segundos, o livro fornece uma enxurrada de dados e fatos, uma análise apurada dos contextos e a incômoda capacidade de lidar com múltiplas verdades simultaneamente. Vítimas foi escrito para informar e para trazer um panorama amplo e horizontal daquele que é talvez o mais longevo e mais importante conflito deste século.
QUARTA-CAPA
Em relato minucioso do conflito entre judeus e árabes na Palestina, de 1881 a 2001, Benny Morris, especialista na questão dos refugiados palestinos e nas interações entre árabes e israelenses, questiona mitos oficiais e enfoca episódios históricos, com base em arquivos e em complexas narrativas de vítimas e personalidades de ambos os lados.
Ao abordar 120 anos de luta pela terra, o autor salienta as visões que desde o início envenenavam a relação entre os dois povos: a dos colonos sionistas que tendiam a ignorar os direitos dos árabes, sem reconhecer suas aspirações legítimas; e a dos árabes palestinos, que não aceitavam ou compreendiam a ligação atávica dos judeus com a terra, nem as perseguições que sofriam dos europeus e que impulsionavam o sionismo.
Da incompreensão mútua ao ódio recíproco, uma tragédia que não cessa de produzir Vítimas.
BENNY MORRIS
Benny Morris é um historiador israelense. Foi professor de História no Departamento de Estudos do Oriente Médio da Universidade Ben-Gurion do Neguev, em Israel. É um dos integrantes do grupo conhecido como "Novos Historiadores" israelenses, junto a Ilan Pappe e outros, que foram muito criticados por todos os lados do espectro político. Em 1989, lançou uma de suas principais obras, The Birth of the Palestinian Refugee Problem, 1947-1948 (O Nascimento do Problema dos Refugiados Palestinos, 1947-1948). Nela, com base em arquivos israelenses liberados, Morris demonstrou que o êxodo dos palestinos em 1948 foi, em grande parte, uma resposta a expulsões deliberadas e à violência das forças israelenses, e não o resultado de ordens de líderes árabes, como se alegava. No entanto, Morris deixa entrever uma mudança ideológica em seus escritos e entrevistas a partir de 2001, depois da Segunda Intifada, adotando um ponto de vista mais conservador e negativo em relação aos palestinos e ao processo de paz como um todo. Righteous Victims: A History of the Zionist-Arab Conflict 1881-1999 (Vítimas: Uma História do Conflito Entre Sionistas e Árabes, 1881-2001), porém, precede essa fase e constitui um dos mais amplos e equilibrados relatos do conflito entre árabes e judeus no Oriente Médio.
A QUESTÃO JUDAICA CONTEMPORÂNEA
Esta coletânea propõe uma contextualização crítica e uma análise situada das múltiplas configurações identitárias, políticas e simbólicas da questão judaica contemporânea, considerando os desdobramentos do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 a Israel e a subsequente resposta militar israelense em Gaza.
ORELHA
O retorno a Sião foi concebido como um ato social e político que remediaria a existência anormal dos judeus como minoria oprimida na Diáspora. Mas, desde o exílio dos judeus dessa terra, no início do primeiro milênio d.C., a ideia ou a visão de um retorno esteve intimamente ligada ao tema cósmico e messiânico da redenção e salvação coletivas. A energia religiosa gerada por essa ideia ao longo dos séculos foi transmutada durante as décadas de realização sionista naquela potente força política que varreu tudo à sua frente e, por fim, forjou um Estado em circunstâncias e em um ambiente no qual a lógica rudimentar ditava que nenhum Estado judeu jamais poderia surgir. Não há como compreender o comportamento sionista na Palestina ou o desenvolvimento do conflito árabo-sionista sem entender as raízes messiânicas, o contexto europeu e os propulsores do surgimento do sionismo. [ p. 16]
O QUE DIZ O AUTOR
Contudo, o pessimismo em relação ao resultado da ofensiva israelo-estadunidense não se devia apenas a fatores materiais. O ataque ao Irã desencadeara no regime, mas possivelmente também entre muitos iranianos, um forte desejo de vingança e uma vontade de adquirir armamento nuclear o mais rápido possível, dado o entendimento de que a posse de armas nucleares por si só protegeria o Irã de novos ataques ocidentais – assim como o arsenal nuclear da Coreia do Norte a protegeu de ataques estadunidenses nas últimas duas décadas. E os comentaristas não tardaram a apontar o exemplo contrário: Muammar Gaddafi, da Líbia, sob pressão ocidental, arquivou seu projeto nuclear e foi posteriormente deposto, com ajuda ocidental, e finalmente assassinado.
Se os iranianos renovarem seu ímpeto em relação ao armamento nuclear, como parece provável, novos ataques preventivos israelenses ou israelo-estadunidenses estão previstos, e a luta israelense-iraniana provavelmente se prolongará, a menos que seja interrompida por uma ação militar definitiva – ou seja, pelo possível uso de armas nucleares por um dos lados.
POR QUE LER?
Você provavelmente já foi impactado por dezenas de análises, mais ou mesmos superficiais, sobre Israel e a Palestina. Vítimas, de Benny Morris, é um antídoto para evitar a superficialidade ou a disseminação de informações falsas ou politicamente enviesadas.
Eis algumas razões para enfrentar as mil páginas desse colosso:
1. Põe fim à ideia equivocada de que se trata de um conflito recente.
Em 2026, o conflito parecerá ainda mais interminável e confuso. Morris começa na década de 1880 — época otomana, primeiros colonos sionistas, agricultores palestinos e mostra que isso não é um videogame com um "lado bom" e uma "fase final". São dois povos reais que têm seus medos, traumas e reivindicações legítimas. Não há um lado totalmente inocente nem outro totalmente mau.
2. Utiliza, em grande medida, arquivos israelenses tornados públicos décadas depois da criação do Estado de Israel, o que não o torna um defensor fanático, mas um crítico honesto.
Morris faz parte do grupo de "novos historiadores" israelenses. Isso significa que ele vasculhou os arquivos militares que eram mantidos secretos. Assim, o autor admite que Israel cometeu massacres em 1948 (como o de Deir Yassin) e documenta cinco exércitos árabes tentando apagar Israel do mapa. Descreve fatos desagradáveis -- de todos os lados e não uma versão higienizada de uma história mítica.
3. Entende-se, a partir das análises e dos fatos narrados em minúcias, por que a paz continua fracassando.
Por que Oslo (o processo de paz dos anos 1990) entrou em colapso? Por que a Segunda Intifada se transformou em atentados suicidas? Morris explica a lógica por trás de cada decisão terrível — postos de controle, assentamentos, terrorismo, assassinatos. Podemos não gostar delas ou não concordar com as ações descritas, mas podemos entender por que foram realizadas.
4. É um livro-escudo contra a propaganda política e a mistificação nacionalista.
Hoje, as deep fakes geradas por IA e influenciadores tendenciosos estão mais ativos e numerosos e promovem uma quantidade absurda de conteúdo manipulado, difícil de erradicar. Depois de ler Vítimas, quando se omitir 1948, 1967, 1989 ou 1998 para reforçar uma narrativa, o leitor atento se perguntará: "E aquilo que aconteceu antes?" Isso é exercer o pensamento crítico.
5. Então, sem desculpas.
Vítimas é provavelmente o mais detalhado relato do conflito árabe-israelense. É pessimista (vemos hoje o porquê). Basicamente conclui que os dois lados agiram com teimosia e violência abrindo mão de soluções viáveis de convivência. Mas o entendimento de uma tragédia é muito melhor do que estar confiantemente equivocado enquanto grita com estranhos online.
PÚBLICO-ALVO
Descrição dos públicos principais
PALAVRAS-CHAVE
Conflito no Oriente Mádio; história mundial; sionismo; Oriente Médio, Intifada, Guerra dos Seis Dias, Acordos de Oslo, guerra, racismo, anti-islamismo, antissemitismo, árabes; judeus israelenses; palestinos
TRECHOS
DA APRESENTAÇÃO À EDIÇÃO BRASILEIRA
Leonardo Avritzer
A convivência entre árabes e judeus na Palestina foi relativamente pacífica em um período no qual as duas comunidades que historicamente existiram ali por muitos séculos eram relativamente tradicionais e pouco impactadas pela modernização europeia. Os primeiros anos de convivência entre judeus e árabes após o início da imigração judaica a partir de 1880 foram de calma relativa apesar de alguns enfrentamentos em 1922 e em 1929, mas que não tiveram um significado político maior. A Revolta Árabe de 1936-1939 irá modificar esse panorama. Ela teve o papel de desafiar abertamente o poder dos ingleses e levá-los a impor limites ao desenvolvimento do Ischuv.
DO LIVRO
O movimento nacional árabe surgiu no cenário da história – embora só tenha alcançado o centro do palco nas décadas de 1920 e 1930 – na esteira da revolução de julho de 1908 do movimento dos Jovens Turcos, que reintroduziu a Constituição de 1876, liberdade de imprensa e o parlamento otomano. No mundo árabe, segundo um residente britânico da Síria, houve “alegria universal. Muçulmanos foram vistos abraçando cristãos e judeus e convidando-se mutuamente para recepções e festas. Os sentimentos reprimidos da população explodiram em altos brados de alegria nas ruas. A Síria nunca vira tamanha alegria. A Era de Ouro parecia estar amanhecendo”. Houve comícios festivos e reuniões de massa em Beirute, Damasco, Haifa e Jerusalém, embora na Palestina os a‘yan – ligados por tradição e benefícios financeiros ao regime de Abdulamide – estivessem longe de se entusiasmarem.
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Documentação israelense e ocidental indica que, entre o final de 1948 e julho de 1952, houve oportunidades para a paz entre Israel e vários de seus vizinhos. No entanto, elas não foram exploradas, certamente não de forma plena, porque Israel não estava disposto a fazer concessões pela paz, e os líderes árabes se sentiam fracos demais e ameaçados por seu próprio povo e seus vizinhos para embarcar, ou mesmo contemplar, a paz, a menos que ela incluísse concessões israelenses substanciais.
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Na Guerra de Outubro, também conhecida como Guerra do Iom Kipur ou Guerra do Ramadã, os presidentes Anwar Sadat, do Egito, e Hafez Assad, da Síria, buscaram recuperar os territórios perdidos em 1967. Nenhum deles pretendia destruir Israel, embora, durante as primeiras horas do conflito, seus líderes não pudessem ter certeza disso; tanto Sadat quanto Assad sabiam que isso estava além de seus poderes e que Israel, se mortalmente ameaçado, lançaria ataques nucleares devastadores. Havia, no entanto, uma grande disparidade entre seus objetivos, decorrentes em parte da diferença de superfície entre a Península do Sinai e as Colinas de Golã. O ministro da defesa sírio, Mustafa Tlass, escreveu mais tarde: “Procurávamos libertar as terras árabes conquistadas, enquanto o Egito buscava cruzar o Canal e permanecer em [ambas] as suas margens […] pelo desejo de impulsionar as coisas no plano internacional” (isto é, tomar posse de uma faixa de território na margem leste do Canal, de modo a incitar Israel e a comunidade mundial a romper o impasse político). Os sírios desejavam reconquistar todas as colinas, algo que acreditavam que poderia ser alcançado em poucos dias.
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Mas Sadat já havia desistido de Genebra. Em 5 de novembro, ele disse ao Conselho de Segurança Nacional egípcio: “Estou disposto a ir a Jerusalém e proferir um discurso no Knesset israelense se isso poupar o sangue dos meus filhos.” E quatro dias depois, em 9 de novembro, ele lançou sua bomba em público. Dirigindo-se à Assembleia Nacional egípcia, com Arafat especialmente convidado e presente na plateia, Sadat desviou-se do texto e declarou: “Estou disposto a ir até os confins da terra, e Israel ficará surpreso ao me ouvir dizer a vocês: estou pronto a ir à casa deles, ao próprio Knesset, e discutir com eles ali. Não temos tempo a perder.” Um pesado silêncio caiu sobre o salão, rompido longos segundos depois por fortes salva de palmas. Inclusive Arafat aplaudiu; como os demais, ele parece ter acreditado que Sadat havia apenas usado uma figura de linguagem. Mas o ministro das Relações Exteriores Fahmy, o ministro da Defesa Gamasy e outros ficaram horrorizados. Tendo ouvido Sadat no Conselho de Segurança Nacional apenas alguns dias antes, sabiam que ele falava a sério e que estava propondo um curso de ação que contrariava a sabedoria árabe aceita e seu bom senso.
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A Intifada – a “guerra pela independência de Israel” travada pelos palestinos – foi uma luta política, embora tenha começado como um protesto em massa contra condições econômicas insuportáveis que, por sua vez, eram em grande parte resultado de realidades políticas. Só após sua eclosão as energias dos palestinos foram claramente canalizadas para objetivos nacionalistas por líderes políticos que conquistaram controle parcial sobre a população enfurecida. A principal força impulsionadora da Intifada foi a frustração das aspirações nacionais dos 650.000 habitantes da Faixa de Gaza, 900.000 da Cisjordânia e 130.000 de Jerusalém Oriental, que desejavam viver em um Estado palestino e não como habitantes apátridas sob uma ocupação militar estrangeira brutal.
SUMARIO
Apresentação [Leonardo Avritzer]
Nota Da Edição
Siglas
Prefácio
1 A Palestina de Antes
2 O Início do Conflito: Judeus e Árabes na Palestina, 1881-1914 47
3 A Primeira Guerra Mundial, a Declaração Balfour e o Mandato Britânico
4 A Rebelião Árabe
5 A Segunda Guerra Mundial
6 1949-1956
7 A Guerra dos Seis Dias, 1967
8 A Guerra de Atrito
9 A Guerra de Outubro, 1973
10 A Paz Entre Israel e Egito, 1977-1979
11 A Guerra Do Líbano, 1982-1985
12 A Intifada
13 Paz, Finalmente?
14 Os Dezenove Meses de Ehud Barak
Conclusões
Post Scriptum 2025
Referências Selecionadas
Índice Remissivo
Agradecimentos
FICHA TÉCNICA
Autor: Benny Morris
Prefácio: Leonardo Avritzer
Tradução: Margarida Goldsztajn
Coleção: A Questão Judaica Contemporânea
História; Judaísmo
Impresso em brochura
12,5 x 20,5 cm
1152 páginas
ISBN 978-65-5505-294-7
Lançamento 15 julho de 2026
EBOOK
ISBN 978-65-5505-295-4
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| 2 x de R$99,95 sem juros | Total R$199,90 | |
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