LEITURAS EM VERTIGEM
Antirracismo e Literatura Infantil
Cristiane Tavares
Prefácio: Edmilson Pereira de Almeida
DESCRIÇÃO CURTA
Leituras em Vertigem aborda a literatura infantil e juvenil brasileira, principalmente em seu aspecto antirracista, analisando suas dimensões estéticas, históricas e sociais, com foco em estudos acadêmicos e práticas pedagógicas.
SINOPSE
A relação entre as tendências críticas da literatura infantojuvenil e a formação de leitores antirracistas é profunda e estruturante, conforme detalhado em Leituras em Vertigem: Antirracismo e Literatura Infantil, de Cristiane Tavares. Essas tendências não apenas influenciam o conteúdo das obras, mas também propõem práticas de leitura e análise que promovem o pensamento crítico e a transformação social.
O livro defende que as tendências críticas atuais em literatura infantojuvenil são fundamentais para formar leitores antirracistas, pois promovem práticas de leitura que valorizam a diversidade, questionam estruturas de poder e incentivam a invenção de novos imaginários sociais. O conceito de "devir-canto", derivado da ideia da “vertigem do devir” de Frantz Fanon, propõe uma poética que valoriza a coexistência de alteridades, a multiplicidade de vozes e a experimentação formal.
Ademais, Cristiane Tavares propõe indicadores que orientam uma análise crítica dessa literatura: o comunal (relações inter-raciais singulares, intersecção de linguagens e subversão espaço-temporal), o diaspórico (reinvenção de espaços, deslocamento de tradições e hibridização cultural) e o insurgente (subversão de padrões hegemônicos, enfrentamento da violência da racialização e ruptura de hierarquias).
A autora destaca que a literatura infantojuvenil compartilha os mesmos desafios e potencialidades da literatura dita “adulta”, mas tende a abordar de forma mais direta as tensões sociais, a fluidez das identidades e a complexidade das relações raciais, dialogando com temas da literatura nacional e com a formação crítica do leitor jovem. É necessário evitar a redução da literatura a instrumento pedagógico ou de representatividade superficial, defendendo a autonomia estética e a abertura para múltiplos sentidos.
A literatura infantojuvenil contemporânea no Brasil tem sido marcada pela incorporação de temas étnico-raciais, impulsionada por legislações como a Lei 10.639/03 e pelo ativismo de movimentos negros. Obras e críticas buscam desconstruir o mito da democracia racial e enfrentar o "pacto narcísico da branquitude". A crítica literária antirracista propõe leituras que vão além da representatividade, questionando estruturas de poder e dispositivos de racialidade.
Obras como "Afrofuturo: Ancestral do Amanhã", "A Melhor Mãe do Mundo" e "Diálogos Feministas Antirracistas (e Nada Fáceis) Com as Crianças" exemplificam como a literatura pode abordar o antirracismo de forma afetiva, lúdica e crítica, promovendo protagonismo negro e discussões abertas sobre racismo e diversidade.
QUARTA-CAPA
A literatura infanto-juvenil, como o próprio público a que se dirige, muda com a sociedade, perpassada como é pelos mesmos temas que consagraram a literatura para o público adulto.
Em Leituras em Vertigem: Antirracismo e Literatura Infantil, Cristiane Tavares oferece uma contribuição fundamental e inspiradora, ao tecer com rigor e sensibilidade um caminho crítico que amplia os horizontes da literatura infanto-juvenil brasileira. Graças à estreita relação entre sua experiência docente e sua pesquisa acadêmica sobre autorias, obras e leitores da literatura infanto-juvenil brasileira. Da “vertigem do devir”, de Frantz Fanon, a autora extrai a concepção poética do “devir-canto, que gera textos criativos, mas que é também método de análise, para abordar a complexidade do engajamento e da inventividade das mitopóeticas negras, em busca da construção de uma crítica literária antirracista. Uma poética do “entre”, “da minoridade estética e da responsabilidade ética”, fundamento de uma coexistência em que o outro, em suas palavras, “não predeterminado por dispositivos da racialidade, exista e seja em suas singularidades”.
O que, nas palavras do escritor Edmilson Pereira de Almeida, cria uma obra “que esmiúça algumas das complexas relações entre autoria e público, texto e imagem, ética e estética da literatura infantil e juvenil que se escreve hoje no país.” Uma obra indispensável, que alia profundidade teórica e compromisso ético, iluminando o debate sobre raça, autoria e imaginário na formação de novos leitores.
CRISTIANE FERNANDES TAVARES
É professora e crítica literária, é doutora em Educação (Unifesp) e mestre em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP). Autora de Aos Olhos do Mar (Movimenta, 2015) e uma das organizadoras de Literatura e Educação (Zouk, 2021).
IDA E VOLTA
A coleção Ida e Volta se propõe a abrigar obras paradigmáticas do cenário da crítica literária no campo da literatura infantil e juvenil. Reunindo autores nacionais e internacionais, cada livro é selecionado de acordo com a relevância temática e abordagem única de assuntos inéditos ou muito pertinentes para o cenário editorial brasileiro. Voltada para educadores, pesquisadores e amantes da literatura infantil, a coleção vem a somar em um cenário ainda escasso de publicações de peso com o objetivo de enriquecer o debate da área e abrir caminhos para novas pesquisas.
DA CAPA
Imagem da capa: Colagem reunindo elementos de alguns dos livros analisados
ORELHA
Por coexistência de alteridades entendemos, no âmbito da poética devir-canto, a hibridização estética que se dá de diferentes formas, ao conjugar o comunal, o diaspórico e o insurgente na dinâmica composicional dos objetos literários, em especial dos livros infantis ilustrados selecionados aqui. Tal coexistência se constitui, vale sublinhar, como heterotopia, esse não lugar traduzido como entre, de onde se expandem imaginários para além dos dispositivos de racialidade. Trata-se de um importante indicador de uma crítica literária antirracista, que condensa outros indicadores já apresentados anteriormente, na síntese dos aspectos comunal, diaspórico e insurgente. [...]. É próprio da poética devir-canto intensificar imaginários em constante movimento, partilhados ética e esteticamente. A partilha responsável de singularidades parece uma boa tradução para a coexistência de alteridades que, no âmbito da crítica literária antirracista, dialoga com o sentido emancipatório no campo sociológico das discussões raciais aqui apresentadas, constituindo-se, no entanto, como sentido inventivo ou intensidade máxima da poética devir-canto, potencializado pela linguagem enquanto acontecimento expansivo de imaginários.
PÚBLICO-ALVO
Educadores, estudantes, autores, críticos e público em geral.
PALAVRAS-CHAVE
Literatura infanto-juvenil, crítica literária, antirracismo, infância, Fanon, racismo, sociologia, recepção literária.
TRECHOS
A crítica literária antirracista apresentada aqui considera, portanto, o conceito de “racismo à brasileira” como aquele que, ainda escamoteado pelo mito da democracia racial, determina politicamente a brancura como padrão de normalidade e superioridade, garantindo-lhe privilégios por meio da opressão social e produzindo exclusões materiais e simbólicas. Já o conceito de antirracismo define-se como discurso argumentativo que se opõe a práticas e teorias racistas reproduzidas de forma acrítica no campo artístico-literário. Embora opere discursivamente, o atributo antirracista neste ensaio está atrelado a modos específicos de ler o objeto literário, o que implica processos de interação entre obras e leitores. Essa ressalva é importante porque vincula a crítica literária antirracista a uma prática social de leitura e não a um exercício retórico. Mais do que uma característica, trata-se de um fundamento que busca ser coerente com as práticas antirracistas lideradas e organizadas por movimentos negros no país, com agendas e pautas concretamente definidas em busca de justiça e reparação social.
Faz-se necessário diferenciar a abordagem meramente temática do que aqui estamos chamando de dinâmica composicional. Isso porque um livro pode ter um tema antirracista, mas operar em uma dinâmica composicional racista. As camadas de linguagens verbal e visual que compõem uma poética não são apenas declarativas, ou seja, não se leem apenas no primeiro plano narrativo, circunscrito a determinado enredo facilmente identificável. A dinâmica composicional enquanto construção ética e estética permite acessar diferentes camadas de sentido, desde a construção das personagens até as relações que estabelecem entre si e a profundidade com que essas relações se desenvolvem no enredo. O mesmo vale para as relações entre texto, imagem e projeto gráfico, linguagens distintas compondo a experiência de leitura. É prioritariamente em relação que os elementos de uma dinâmica composicional operam intensidades mais ou menos fortes de devir-canto, enquanto a temática é apenas um desses elementos, cuja leitura também requer recortes em profundidade e não superficialmente.
A crítica à tradição como possibilidade fixa de retorno a uma certa identidade e a imagem de haver sempre algo no meio, impedindo ou dificultando essa volta, constitui a poética devir-canto, que também ocupa esse lugar do entre as histórias da branquitude e as mitopoéticas negras. Equivale dizer que a idealização de um lugar utópico restaurador de identidades não condiz com o caráter heterotópico da poética devir-canto, já mencionado.
Por coexistência de alteridades entendemos, no âmbito da poética devir-canto, a hibridização estética que se dá de diferentes formas, ao conjugar o comunal, o diaspórico e o insurgente na dinâmica composicional dos objetos literários, em especial dos livros infantis ilustrados selecionados aqui. Tal coexistência se constitui, vale sublinhar, como heterotopia, esse não lugar traduzido como entre, de onde se expandem imaginários para além dos dispositivos da racialidade. Trata-se de um importante indicador de uma crítica literária antirracista, que condensa outros indicadores já apresentados anteriormente, na síntese dos aspectos comunal, diaspórico e insurgente.
SUMARIO
Prefácio [Edimilson de Almeida Pereira]
1 Não Lugar e Devir
2 A Poética Devir-Canto: Fundamentos de uma Crítica Literária Antirracista
3 Leituras em Vertigem: Plataforma, Andaime e Trampolim
Para Dar Início a Novas Conversas: No Espanto das (Re)Invenções, Parir uma Poética do Entre
Notas
Referências
Sobre os Livros Abordados
FICHA TÉCNICA
Autores: Cristiane Tavares
Prefácio: Edmilson Pereira de Almeida
Ida e Volta
Literatura/Crítica
Impresso brochura
13,5 x 22,5 cm
144 páginas
ISBN 978-65-5505-308-1
Lançamento 6 nov
EBOOK
ISBN 978-65-5505-309-8
